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Archive for Agosto, 2009

Desde que conheci a arte de Shepard Fairey, achei-o um dos grandes artistas gráficos da atualidade, conheço o trabalho dele  antes da série de pôsteres para a candidatura de Barak Obama e de seu prêmio “Brit Insurance Design Award 2009”, talvez o mais merecido em anos desta premiação. Lembro-me de uma capa de disco que ele fez para Jello Biafra (ex-Dead Kennedys), em 2000, como acompanho o material do Jello e gosto muito de design editorial, foi aí que me dei conta do Shepard.

Mesmo que alguns críticos desdenhem da arte de Obey e enalteceçam ao mesmo tempo Vik Muniz e Andy Warhol eu o aprecio, e, muito, talvez porque ele tenha feito muito da arte de rua e capas de discos e cartazes de bandas que aprecio como Anthrax, Smashing Pumpkins, Bad Brains entre outros, também por fazer muitos trabalhos com cunho social, que são muito belos e tocantes.

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Gosto da linha de seus trabalhos,  muito semelhantes a arte de cartazes do comunismo soviético e chinês, e a simplicidade em reduzir os tons como num silkscreen e gravura fazem deles obras marcantes. Ele consegue navegar entre a arte e peças publicitárias com muita singularidade, algo que ainda luto para conseguir em meus trabalhos.

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Fairey não faz muitas capas de livros, salvo a de um livro que reune sua obra, e ainda quero comprar este semestre, e poucas outras sem tanta repercursão, porém ele fez duas para a Penguin books que são lindas, ambas para livros de George Orwell, 1984 e Revolução dos bichos, acho que ele foi o artista certo para fazer essas capas das novas edições.

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Mas o porquê do título deste post?

Voltando ao material que ele fez para a campanha do Barak Obama, e de sua célebre coleção de pôsteres, entre eles, o mais famoso “Hope”, eis que em outubro próximo, Jello Biafra, sim, ele de novo, lançará um disco com uma capa feita por Shepard Fairey, e o titulo do disco será “The audacity of HYPE”, na capa, o Jello de diabo, na mesma alusão ao cartaz de “Hope”, Jello e Obey não perdem o tino neste caso!

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“A história trata de uma família de poloneses que são enviados para um campo de concentração. A criança dessa família é um menino que chama a atenção dos alemães por possuir traços de pureza da raça ariana. Ele tem cabelos loiros, olhos azuis e se parece demais com um menino que está ao lado de Hitler num cartaz da Juventude Hitlerista. Por isso, ele é tirado do campo de concentração e enviado para viver como adotivo numa família nazista. Daí ele foge e temos as aventuras…”

Bem, esse foi o briefing que me passaram para o livro O órfão de Hitler, na verdade, o segundo briefing, a partir do primeiro fiz uma série de capas que apesar de terem ficado muito legais decidimos partir por outro caminho. Em  alguns dias colocarei elas na seção Os grandes rejeitados, tá legal?

Em virtude do livro do Michael Jackson, que foi uma correria, tive que acelerar muito nesta capa também, e a pesquisa de imagens nestes casos é um tanto complexa, descobri que a Getty Images e a Corbis tem péssimos mecanismos de busca, por exemplo, se você procurar por Hitler aparecem milhares de imagens mas, a imensa maioria, de acontecimentos, cartazes e eventos posteriores a sua morte, mas se for esperto e digitar Hitler 1939, aparecerá muito mais imagens do dito cujo, multiplique isso pelos anos em que Hitler ficou no poder (1939-45) e teremos centenas de imagens!

Achei algumas bem interessantes e o Rogério Alves, gerente editorial da Planeta, queria que de alguma forma eu achasse um  menino e o destacassse daquele universo.

Pensei em colorir o menino, lembrei de minha adolescência e de flmes como Casablanca, que na época passavam na Globo com os slogans de “Colorizados por computador”, ficam comcores meio empasteladas, mas o objetivo não é ficar igual ao real e sim imitá-la, parti por este caminho e o resultadoda capa é este aqui abaixo:

Capa: O órfão de Hitler

Os pontos difíceis nesta capa foram: primeiro fazer uma pesquisa para achar a cor real dos uniformes da Juventude Hitlerista, apesar das fotos coloridas existirem já há algum tempo, não eram muitas, e sobretudo encontrei pouca coisa destes uniformes, tive que fazer algumas associaçoes com uniformes militares da época. Fiquei em dúvida, por exemplo, se a cor dos detalhes, botões e corrente de metal eram prateadas ou douradas, mas isso eu resolvi verificando que a maioria dos uniformes alemães de tons verde-escuros tinham os detalhes em prateado… também achei uma pequena foto colorida em que mostrava isso.

Um segundo ponto que me tirava o sono era fazer um recorte relamente bom, não precisa ser real mas não queria de forma nenhuma que fosse “duro”, queria muito que também se parecesse com aquelas imagens pintadas por cima de fotos PB, minha avó tem duas na casa dos meus pais (e que logo logo tomarei posse delas), uma de minha bisavó e outra de minha avó e meu avô.

Gostei muito do resultado e, sobretudo, foi gratificante todo este aprendizado nesta capa, a parceria com a planeta está trazendo excelentes trabalhos, depois comentarei outros.

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